O futebol do Brasil é mundialmente reconhecido como um celeiro de jovens talentos, muitos dos quais têm suas transferências para clubes europeus decididas precocemente. A questão crucial que se levanta é se o país poderá um dia manter esses craques em seus clubes de origem.
No recente Sports & Business Summit em São Paulo, a possibilidade de manter os talentos no Brasil foi amplamente debatida. Maurício Portela, da Live Mode, e Marcelo Paz, do Fortaleza, destacaram a necessidade de uma reestruturação no futebol brasileiro para que os clubes resistam às propostas atraentes dos gigantes europeus. A proposta é que, com uma base financeira mais sólida, os clubes possam competir de igual para igual com os europeus.
Uma iniciativa bem-sucedida nesse sentido foi o Campeonato Paulista, que otimizou a venda dos direitos de televisão por intermédio da Live Mode, resultando em ganhos significativos para os clubes participantes. Os principais clubes do estado recebem quantias substanciais, o que equipara sua receita à de times de destaque em competições nacionais.
Apesar disso, desafios surgem ao tentar replicar esse modelo em escala nacional. A união dos times da Série A e B do Brasil em uma liga unificada para venda de direitos de transmissão ainda não foi concretizada, devido às divergências entre os clubes. A falta de consenso é evidenciada por decisões como a do Flamengo de vender seus jogos internacionalmente de forma independente.
A coesão entre os clubes brasileiros é crucial para impulsionar a receita proveniente de direitos de TV, patrocínios e licenciamentos. Apesar de decente, a receita do Brasileirão ainda está aquém de ligas como a italiana e inglesa, o que ressalta a necessidade de evolução nesse aspecto.
Marcelo Paz enfatizou a importância da união dos clubes para o aumento da lucratividade coletiva. A falta de coesão impede o futebol brasileiro de atingir seu potencial máximo, mesmo sendo o mais rentável na América do Sul. Contudo, a crise no futebol francês permite ao Brasileirão competir em termos de receita.
Embora a transformação do Brasileirão em uma liga poderosa como a Premier League ainda seja um objetivo distante, avanços são perceptíveis. Clubes como o Palmeiras, mais organizados, têm obtido sucesso em negociações vantajosas de transferência. No entanto, para resistir ao assédio europeu, todos os clubes precisam evoluir, independentemente das dificuldades financeiras.
O caminho para manter os talentos no Brasil passa pela reorganização das ligas e pela melhoria das finanças dos clubes. Com uma abordagem coletiva e estratégica, o futebol brasileiro pode aspirar a reter seus talentos e, quem sabe, competir de igual para igual com as maiores ligas do mundo.